Um ano como há muito<br>não se via
É preciso recuar anos (décadas?) para se encontrar em Portugal, em termos da luta dos trabalhadores e do povo, um ano como o que agora terminou. Não que a luta de massas não se tenha travado noutras alturas, inclusivamente através de grandiosas acções, mas não como em 2012.
Lembrar-se-ão alguns leitores mais atentos de que há um ano escrevemos algo parecido com isto – e não estávamos a mentir. Como não mentimos hoje ao afirmar que 2012 ficará na memória colectiva como um ano de grandes e poderosas jornadas de luta contra a política de ruína nacional do Governo PSD/CDS e da troika e por uma política que rompa definitivamente com a submissão do País aos monopólios (e seus representantes políticos) e empreenda um caminho soberano de progresso, desenvolvimento e justiça social.
Em primeiro plano, e a impulsionar a contestação à política das troikas nacional e estrangeira, estiveram os trabalhadores e o movimento sindical unitário congregado em torno da sua central sindical de classe, a CGTP-IN. Em inúmeras acções – nacionais, sectoriais e ao nível das empresas e serviços – os trabalhadores rejeitaram a exploração e combateram-na; repudiaram o roubo de salários e subsídios e exigiram a sua reposição; contestaram o aumento do desemprego e reclamaram a adopção de medidas para o travar.
Marcantes foram, sem dúvida, as duas grandes manifestações que, a 11 de Fevereiro e a 29 de Setembro, transformaram o transbordante Terreiro do Paço em «Terreiro do Povo»; as duas greves gerais (11 de Março e 14 de Novembro) que paralisaram o País e constituíram um inequívoco sinal de unidade e determinação da classe operária e dos trabalhadores; a Marcha contra o Desemprego, que percorreu dezenas de localidades do País exigindo uma nova política; e tantas e tão fortes lutas travadas nas empresas e nos sectores contra a aplicação ilegal das alterações ao Código do Trabalho, ao arrepio da contratação colectiva, em defesa de direitos consagrados que o patronato quer retirar e das próprias empresas, ameaçadas de privatização.
Mas 2012 ficará também marcado pelo reforço da luta de outros sectores e camadas da sociedade. Agricultores, estudantes, pequenos e médios empresários foram alguns dos que saíram à rua reclamando uma inflexão profunda na política nacional que os encaminha a passos largos para a ruína. Também a luta das populações em defesa dos serviços públicos se intensificou, ganhando um impressionante carácter de massas com o ataque desferido pelo Governo ao poder local democrático, nomeadamente as freguesias. Para além das muitas acções descentralizadas, tiveram grande impacto as duas manifestações nacionais realizadas em Lisboa em defesa das freguesias, a 31 de Março e a 22 de Dezembro.
A esclarecer, mobilizar e organizar para todas estas lutas esteve o PCP, consciente de que só a luta organizada dos trabalhadores e do povo poderá abrir as portas de um futuro progressista para o País. No seu XIX Congresso, realizado no final do ano, definiu-se precisamente o «vigoroso desenvolvimento da luta de massas que conflua para a criação de uma vasta frente social», aliado ao reforço do Partido com a ampliação decisiva da sua influência e à alteração da correlação de forças no plano político, como «condições determinantes e dialecticamente interdependentes» para a concretização da alternativa política patriótica e de esquerda que o PCP propõe.
2013 será um ano de ainda maior e mais ampla luta de classes. Porque os trabalhadores e o povo saíram do ano que agora terminou mais fortes para travarem os duros e decisivos combates que os esperam.